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O Bom é inimigo do ótimo, o ótimo é amigo da segurança

19 de janeiro de 2007

O recente acidente nas obras do metrô me fez pensar sobre a eterna redução de custos que as empresas vivem para ganhar as concorrências. Seria leviano acusar as empresas de algo sem a conclusão das investigações, mas na maioria das vezes se deseja aumentar o lucro, os acionistas ou a área financeira (que não entendem nada do negócio) reduzem o quadro técnico ou a qualidade do material e aumentam os esforços de venda de uma forma que varia de quase a totalmente irresponsável. Eles se esquecem que precisam entregar algo de qualidade, e na maioria das vezes quem se mata para garantir o mínimo de qualidade é a equipe técnica, que entende o tamanho do problema e não aceita fazer algo tão ruim. Se lembrarmos do ¨pequeno¨ erro de usar agua salobra areia do mar, no Palace II no Rio de Janeiro isso fica um pouco mais evidente: Ele caiu como um castelo de areia.

Uma frase que virou uma uma maldição dentro das empresas é a famosa “o ótimo é inimigo do bom”, hoje qualquer um fala isso como que lhe ensinando uma grande lição de gerenciamento de projetos que vai mudar sua vida. Concordo que ficar escovando bit não é produtivo (a não ser quando é necessário), sei também que os 10% ou 20% que separam o bom do ótimo podem levar o mesmo tempo que os outros 80% a 90%, mas até onde o bom é realmente bom ? nós realmente ganhamos com isso?

Entramos em um ciclo negativo globalizado onde os profissionais trabalham por dois, impedindo a criação de novas vagas, mantendo o custo operacional, a satisfação dos acionistas, a competitividade das empresas, e em última instância os próprios empregos. As empresas precisam manter este custo baixo para oferecerem um custo inferior para os clientes, que são também funcionários de alguma empresa e colocam o preço na frente da qualidade por ganharem menos do que nunca.

Projetos que envolvem ativos valiosos como vida humana ou confidencialidade não podem ter erros, tem que ser ótimos, perfeitos! Temos que proteger toda a superfície de ataque, e esse percentual que separa o bom do ótimo é o suficiente para que uma falha de segurança aconteça. O diabo mora nos detalhes, e é nos detalhes que começam os desastres. O ônibus espacial Challenger explodiu por que o responsável não quis adiar o lançamento por causa de uma borracha ressecada. Isso poderia ser considerado um pequeno erro de avaliação de risco, mas para mim não existem pequenos erros, um erro é sempre tão grande quanto as conseqüências que ele trás. 

 

 

O que podemos fazer é esperar que o mundo alimente este ciclo até que a qualidade dos produtos seja tão ruim a ponto das pessoas mudarem sua atitude, e que os lucros sejam insuficientes para todas as indenizações. Ai talvez algo aconteça.

2 Comentários
  1. João permalink

    Quando essa frase foi utilizada pela primeira vez… há muitos séculos atrás, a última coisa que se pensou pra ela foi gerenciamento de projetos. =/

  2. MLK permalink

    Pelo que entendi é defensor da “Teoria do Caos”. Não creio nesta teoria, mas é triste ter que admitir que concordo com seu texto escrito em 2007, pois há muito tempo antes disto, confesso que já vinha percebendo esta transformação de contexto e também passei a pensar assim. E se vc for da área de TI (onde mais nos debatemos com este tipo de cenário), ficará ainda mais desgostoso em saber que em 1998 Richard Sennett (sociólogo americano) já havia escrito um livro entitulado “A Corrosão do Caratér – conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo” (veja resenha de Luiz Paulo Jesus de Oliveira em http://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=a%20corros%C3%A3o%20do%20caracter&source=web&cd=1&sqi=2&ved=0CC8QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.cadernocrh.ufba.br%2Finclude%2Fgetdoc.php%3Fid%3D1047%26article%3D243%26mode%3Dpdf&ei=2YRgT8bZNIWSgwfN3aTADQ&usg=AFQjCNFkic8PkeVzcpwBtpYU6JhzGWjoVQ ) onde praticamente o estudioso explica as causas deste tipo de comportamento global, as quais no Brasil (na minha opinião) associando-as à cultura da famosa “lei de Gerson” versus a impunidade institucionalizada deste país, tomou força desproporcional gerando consequências irreverssíveis, principalmente após a crise de 2008 quando o Brasil passa a ser o alvo de investidores estrangeiros (entenda-se aqui os colaboradores da própria crise), por lhes parecermos como a opção “menos ruim” no contexto mundial para destino de seus investimentos. Taí a Sarbane-Oxley criada em 2002 pelos americanos após o caso da Enron.
    Fiz questão de comentar seu texto (não tenho esta prática), pois com a crise mundial de 2008 ocorrida posteriormente a ele, copa do mundo e olimpíadas atualmente já definidas no Brasil entre outros fatos recentes, cá entre nós… infelizmente vc jamais pensou que passaria a ter tanta razão como quanto escreveu isto em 2007, heim!!?

    Então parabéns! Porque num país de positivistas e suas “positivisses ufanistas” como no Brasil, seremos sempre considerados os negativistas, quando na verdade somos o que chamo de “realistas-terceiro-mundistas”, pois a quem interessa acreditarmos em jingles como “”este é um país que vaí prá frente, oh, oh oh oh oh…” ou mesmo o atual “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor…” se uma maioria analfabeta pode votar sem qualquer preparo politico e condição social que viabiliza o “voto do cabresto” apenas para legitimar aqueles que deveriam zelar pelo fim de seu próprio analfabetismo e não o fazem? Isto é no mínimo uma nova forma de ditadura, afinal se para ter uma CNH o cidadão deve demosntrar um mínimo de conhecimento para obtê-la (aqui referindo-me à exigência do conhecimento e não a sua eficácia na liberação da mesma), por que não poderia ocorrer o mesmo com o título de eleitor? E àqueles que acreditam que isto é apenas uma questão de tempo para que tudo melhore, pois o Brasi lé ainda um país jovem, vai aí o meu recado: “Esperança por sí só sem VONTADE POLÍTICA x JUSTIÇA x AÇÃO é mais uma tremenda “positivísse”… Recomendo que esperem por esta mudança sentados, porque é de atitudes como esta (de pessoas que têm uma esperança divina e votam no Tiririca) é que chegamos até, ok? Até porque fazer o que sempre se fez e esperar um resultado diferente é considerado loucura. Para se obter um resultado diferente é necessário fazer diferente “primeiro”.

    E qual é a saída do Brasil? Sinceramente já não sei mais, porque até 2008 com certeza minha resposta era “literalmente a ala embarque internacional do aeroporto de Cumbica”, mas agora… nem isso!

    Boa sorte amigo, pois assim como eu, vc vai precisar…

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