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Direitos autorais na praia

20 de fevereiro de 2007

 

Como normalmente não carrego o notebook para a praia, gravei em meu celular algumas considerações que fiz sobre a proteção de direitos autorais no Brasil, enquanto aguardava ansiosamente minha primeira cerveja do carnaval e uma porção de colesterol estratégicamente disfarçada de carne de sol e Aipim.

Nesta minha espera, dispenso educadamente o terceiro vendedor oferecendo CD’s e DVD’s (fora um estranhíssimo que vendia uma correntinha de ouro e um relógio). Mas enquanto este vendedor saia, foi inevitável ver em sua mão e ví um CD escrito "FUNK" em letras garrafais. No mesmo momento me passou um arrepio, seguido por calafrio e terminando em piedade e compaixão ao pensar aos danos neurológicos irreparáveis que a superexposição àquele produto poderia causar a uma mente quase saudável.

Após o susto me veio o questionamento se o governo poderia criar algum tipo de imposto sobretaxando este tipo de criação por danos sociais e ambientais, criando assim um tipo de fundo para recuperação das pobres mentes atormentadas por aquela gritaria sem fim. Eu sei que as pessoas escolhem livremente preencher o ambiente com este tipo de ruído, assim como escolhem encher seus pulmões e tudo em volta com nicotina, mas pelo menos o governo já sobretaxa o cigarro para tentar pagar parte do custo que tem no tratamento de câncer, enfisema, infarto e problemas circulatório com os seus dependentes.

Neste momento me veio à mente a beleza dos direitos autorais, como é lindo pensar que as pessoas não poderão entrar na loja e comprar essas "pérolas" por R$ 1,00 (pelo menos até encalharem como o "Bonde do Tigrão" e "O Tchan" estão hoje em dia). Por que será que ao invés de pegar um grupo como Skank e Capital Inicial ou uma cantora como Marisa Monte ou Maria Rita que levam meses produzindo um CD em stúdio, as gravadores pegam um grupo de desesperados, gravam um CD em uma ou 2 semanas, gastam merreca com stúdio (se não gravar ao vivo do boteco) e vendem o CD quase ao mesmo preço? Tai a sobretaxa, mas vai para o bolso dos produtores. Infelizmente este negócio se tornou lucrativo demais e vão nos enfiar todo tipo de lixo barato, criando a cada ano uma banda sensação nova.

Talvez a forma de eliminar este mal fosse aplicar o esquema de distribuição gratuita na  Internet pelo seu valor real (nada), não teríamos tantos produtores empurrando estes "fenômenos" musicais para o domingão do Faustão ou programas similares e tentando convencer as mentes despreparadas que esse ruído é bom.

Por outro lado, me lembrei de minha tia inocentemente contando que um motorista de Taxi no Rio de Janeiro fez uma coletânea de clássicos nacionais e internacionais e exibia as músicas aos passageiros durante a viagem. Ao final oferecia cada um por R$ 10,00 ou os 6 por R$ 40,00, uma barganha! O Pelo nível das músicas eu acho que dificilmente uma gravadora conseguisse colocar tantos clássicos em 6 CD’s por este preço, mas sei que o motorista confessou à minha tia que tem dias que ele está desanimado para sair com o Taxi mas sai mais pelo lucro dos CD’s do que pela corrida, e está pagando a faculdade do filho só com este lucro. Isso sempre me impressiona no Brasileiro.

Particularmente acho que esquemas de venda de música e filmes pela Internet vão reduzir radicalmente o custo final dos produtos e terminar com este mercado paralelo pelo simples motivo de não ser mais lucrativo. Hoje o preço do produto "alternativo" já se aproxima muito do original, e com a escolha compras por faixas independentes as pessoas poderão fazer suas próprias seleções musicais, até mesmo de Funk, (eca!).

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