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Personal Branding em Segurança da Informação

9 de agosto de 2008

 

Atribui-se a criação do conceito de “Personal Branding” ou Marca Pessoal a Tom Peters, que em 1997 publicou na revista “Fast Company” o artigo “The Brand Called You”, no qual desenhou os princípios do marketing pessoal, com frases fortes como: “Se você é realmente esperto, você cria uma mensagem e uma estratégia para promover a marca chamada você.”, “A partir de hoje, você é uma marca”.

Personal Branding pode ser descrito como uma série de ações estratégicas que tem por objetivo posicionar um indivíduo perante o mercado como uma marca, evidenciando aquilo que o diferencia dos demais, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Identificam-se na atualidade dois tipos de uso para marcas pessoais, no primeiro vendem-se produtos, como nos casos do George Foreman Grill, onde se associa o lutador a um produto para fazer alimentos com menos gordura. O segundo tipo de marcas pessoais é aquele em que a excelência de seu criador torna-se um produto. Produtos desenhados por marcas como Armani, Chanel, Calvin Klein, tem como valor agregado a confiança do cliente ou consumidor na expertise de seu principal criador.

Nota-se também que uma vez que o criador de uma marca ou conceito se estabelece em um determinado segmento por uma abordagem diferenciada, este produto pode sobreviver à própria pessoa, ao exemplo de Walt Disney, que empresta seu nome e conceito aos estúdios dirigidos hoje por seus herdeiros. Na indústria de S.I. podemos analisar casos como o de Peter Norton, que ficou famoso com o Norton Antivírus nas décadas de 80/90 e continuou por anos emprestando sua imagem ao produto e do russo Kaspersky, que mesmo com um nome tão difícil para outras línguas já é reconhecido como excelência em antivírus.

A partir de hoje, você é uma marca

Uma marca construída consistentemente baseia-se na experiência e qualidade do trabalho de seu criador. Marcas pessoais podem tem como diferencial uma especialização em um nicho de mercado atendido com excelência ou uma característica marcante que um determinado profissional emprega em seus trabalhos, em ambos os casos diferenciando este profissional dos demais em seu segmento.

Segundo Peters [1] o primeiro passo é não pensar em você como um colaborador de uma empresa X ou Y. Associações do tipo “O Fernando da Microsoft” ou “O Fernando instrutor da Módulo” podem ser temporárias e não falam nada sobre sua experiência ou valor, servem apenas como um endosso, mostrando ao mercado que uma empresa acredita em você e que provavelmente você desempenha determinada função bem.

Associações da pessoa à sua obra como “O Fernando da Academia Latino-Americana de Segurança da Informação” são mais desejáveis quando se pensa em marca pessoal porque também te endossam e dizem algo a mais sobre seu trabalho. No entanto, associações como “o Criptógrafo Bruce Schneier, autor do Bluefish e Twofish” são as matadoras e, guardadas as proporções, são estas que devemos procurar.

O que te faz diferente

Acho que todos nós sabemos no íntimo o que nos diferencia dos demais, o que fazemos com tanta paixão que gostaríamos de ser lembrados por isso. Muitas vezes nos desviamos do que fazemos de melhor por buscar um cargo de destaque ou hierarquicamente superior, como no personagem de Jim Carrey em “O Todo Poderoso”, que queria ser âncora de um noticiário, mas tinha um talento sem igual para ser um repórter de rua e divertir as pessoas.

Acredito que as pessoas só se realizam executando o que realmente tem vocação e interesse. Pessoas que se condicionam a uma situação podem ser competentes e até bem sucedidas, mas raramente serão consideradas brilhantes.

Procure em sua carreira os momentos que se sentiu à vontade com algo que estivesse fazendo, procure os melhores resultados que obteve em um projeto e quando foi mais admirado por algo que fez. Ai você encontrará sua marca pessoal. Não tente melhorar o que você não é tão bom se isso estiver fora de seu foco, invista no que você faz de melhor e destaque-se dos demais por isso. Como ouvi certa vez: “Especialização é saber cada vez mais de cada vez menos”.

Credibilidade

A credibilidade não vem através de propaganda, não adianta fazer um site falando sobre o que você sabe fazer se ninguém avaliza isso. O reconhecimento de suas habilidades vem através das pessoas ou entidades que falam sobre você.

Em TI e SI as certificações de fornecedores (vendors) indicam como as empresas como Módulo, Microsoft, Cisco, Red Hat o qualificam em relação a seus produtos e as certificações de associações como a ISC2, ISACA, LPI o qualificam em relação ao conhecimento que elas consideram um diferencial para seus associados. Apesar das certificações terem este papel, os profissionais precisam corresponder às expectativas geradas por elas. Promover-se sem respaldo é pior do que o anonimato, é a exposição em larga escala de suas deficiências ao mundo.

Muitas pessoas criticam as certificações dizendo que estas não garantem que a pessoa certificada é um bom profissional. Tenho que concordar com isso, mas o que estas pessoas não percebem é que as certificações são uma oportunidade de ouro de ter um terceiro confiável falando algo sobre você, e que sem estas você terá que se apoiar em seus colegas e ex-colegas de trabalho para lhe promoverem ou abonarem qualquer referência a seu respeito.

Ética

Não basta ser bom técnica ou administrativamente, o profissional completo precisa manter sua imagem imaculada, longe de algo que o desqualifique para o mercado. As empresas confiam aos profissionais de S.I. seus ativos mais valiosos e algumas vezes a própria continuidade de suas operações. Qualquer pessoa que possa ser lembrado por uma ação antiética, ocorrida a qualquer tempo, enfrentará dificuldades em convencer uma organização a confiar seus ativos a ele.

Construir a marca

Para construir uma marca é preciso trabalhar! É necessário que mostremos ao mundo o conhecimento e o potencial que existe dentro de nós. Escrever artigos, criar um blog, ministrar palestras e treinamentos, participar de comunidades de relacionamento e participar ativamente de listas de discussão são apenas alguns exemplos de como construímos uma marca pessoal. Quando um profissional se relaciona com os demais debatendo assuntos relevantes à sua área de atuação ele demonstra não somente seu conhecimento, mas também sua capacidade de argumentação, diálogo, entendimento e também sua preocupação em dividir e expandir seus conhecimentos.

Demonstra também alguns traços de sua personalidade na medida em que as discussões ocorrem. Por este motivo os blogs e as participações em listas de discussão têm papel importante para a fixação do nome dos profissionais na mente de seus colegas. Não raramente reconheço colegas de lista em eventos e treinamentos simplesmente pelo nome, a partir daí fica fácil estreitamos nosso relacionamento e conhecermos um pouco mais de cada um.

Diga-me com quem tu andas…

As associações de profissionais como a ISSA e a ISACA tem a função de congregar pessoas com interesses e objetivos em comum e a partir daí buscar benefícios para seus associados. Ao se associar a uma entidade de profissionais você não está apenas “comprando” os benefícios que esta associação lhe oferece, está também demonstrando aos colegas sua afinidade com os ideais da associação e seu comprometimento em fazer com que a associação cresça e torne-se mais expressiva no mercado, podendo assim trazer mais benefícios aos associados. Por outro lado as associações devem promover o “networking” entre seus associados, gerando oportunidades de colaboração e crescimento dos mesmos.

Nunca almoce sozinho

Essa frase está na capa de um dos mais interessantes livros sobre networking do planeta. Ele retrata a importância de ser generoso e manter o relacionamento com as pessoas pelas quais você possui afinidades pessoais e/ou profissionais.

Troque idéias sobre suas aspirações e projetos, ouça seus colegas e ajude-os sempre que possível. Não se trata de ser falso ou dar telefonemas automáticos e apertos frios de mãos. Trata-se de lembrar-se das pessoas que o enriquecem de alguma forma e tirar um tempo para estar em contato elas, fazendo desses encontros uma troca. Ações como esta lhe manterá no mercado e revitalizará suas idéias e seus planos.

Conclusão

Não adianta só botar o ovo, tem que cacarejar! A demonstração de seus conhecimentos e resultados é benéfica para você e para a(s) empresa(s) com as quais você trabalha. Ter um profissional reconhecido no staff é positivo e desejável para as empresas, afinal de contas a prestação de serviços vive da imagem de seus profissionais e as demais empresas “pontuam” com seus acionistas ao depositarem seus ativos em mãos reconhecidamente capazes de protegê-los.

Comece hoje, pense grande e comece pequeno, faça um pequeno progresso a cada dia e no final talvez possa dizer algo como ouvi uma vez do Renato Russo: “Nós queríamos ser como os Beatles. Não deu, mas conseguimos ser a Legião”.

[1] Peters, Tom – The Brand Called You – Fast Company, consultada em 04/05/2008 – 22:15 http://www.fastcompany.com/node/28905/print

From → Carreira

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