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A História da Forense

9 de maio de 2011

O primeiro registro conhecido sobre procedimentos forenses vem da china, e data de 1248 (Calma, não era forense digital). Trata-se do livro Washing Away of Wrongs, escrito para descrever o processo de investigação de mortes com causas questionáveis, e nele, o autor delimita as responsabilidades dos oficiais que lidarem com as provas, sugere procedimentos para exame médico, dá dicas de como entrevistar suspeitos e familiares e ainda chama a atenção dos investigadores sobre as consequências de se levantar falsas suspeitas.

Esse documento aplica os conhecimentos médicos do autor para a solução de crimes. O livro mostra que á possível identificar um afogamento pela agua presente nos pulmões e um estrangulamento através das marcas de pressão na garganta e dos danos na cartilagem do pescoço da vítima.

Em 1609,  O Médico francês Antoine Louis Barye, dedica-se a diferenciar suicídios de assassinatos, além de identificar a causa de mortes. Dois séculos depois,  em 1813, Mathieu Orfila publica”, o primeiro estudo científico sobre a detecção de efeitos de venenos, chamado “Traite des poisons or Toxicologie generale, o que lhe deu o título de pai da toxicologia forense.

Em 1835, Henry Goddard utiliza pela primeira vez a comparação de balas disparadas da arma para capturar um assassino. E quatro anos mais tarde, o Dr. John Davi faz os primeiros experimentos para tentar determinar o tempo de morte através da medição da queda da temperatura do corpo com um termômetro de mercúrio.

O Primeiro questionamento

Em 1840, Mathiel Orfila exumou o corpo do ex-marido de Marie LaFarge acusada de assassinato por arsênico, que havia sido encontrado na comida do marido mas não no corpo do mesmo, devido a um erro nos procedimentos de perícia. Orfila, comprovou a presença dessa substância nos órgãos internos da vítima e garantiu ao júri que tanto o cemitério quanto seu laboratório eram livres dessa substância, mesmo assim esse caso entrou para a história como o primeiro em que tentou-se refutar uma prova do estado com um perito contratado para a defesa, que alegou que poderia extrair arsênico de praticamente qualquer coisa, inclusive da cadeira do juiz

Sherlock Holmes

Em 1887,  Sir. Arthur Conan Doyle publicou “A Study in a Scarlet” , a primeira história de Sherlock Holmes. Sherlock é considerado o protótipo do investigador criminalista da atualidade, devido aos métodos científicos empregados pelo mesmo.

Sangue, impressões digitais e documentos

Em 1887,  Leone Lattes desenvolve o primeiro teste para grupos sanguíneos (A, B, AB e O) e escreve também o livro “L’Individualità del sangue nella biologia, nella clinica, nella medicina, legale” que trata não apenas de questões clínicas, mas de hereditariedade, paternidade e manchas secas de sangue.

Em 1892, Francis Galton publica “Finger Prints”, que tratava da primeira evidência estatística da unicidade de uma impressão digital e descreveria os princípios fundamentais que até hoje são aplicados nesse método de identificação. Anos mais tarde, em 1918, Edmond Locard descreveu doze pontos característicos para a identificação de impressões digitais.

Em 1910, Albert Osborne publica “Questioned Documents”, um trabalho exaustivo, reimpresso diversas vezes e indispensável até hoje. Por seus esforços, os tribunais passaram a aceitar o testemunho de peritos sobre a falsificação de documentos como prova legal.

O Princípio de Locard

Em 1910, Edmond Locard utiliza sua influência e constrói o primeiro laboratório forense, em Lyon, França, e torna-se diretor do mesmo. Formado em medicina e direito, Edmond Locard estabeleceu um princípio simples mas de grande profundidade:

“quaisquer que sejam os passos, quaisquer objetos tocados por ele, o que quer que seja que ele deixe, mesmo que inconscientemente, servirá como uma testemunha silenciosa contra ele. Não apenas as suas pegadas ou dedadas, mas o seu cabelo, as fibras das suas calças, os vidros que ele porventura parta, a marca da ferramenta que ele deixe, a tinta que ele arranhe, o sangue ou sémen que deixe. Tudo isto, e muito mais, carrega um testemunho contra ele. Esta prova não se esquece. É distinta da excitação do momento. Não é ausente como as testemunhas humanas

são. Constituem, per se, numa evidência factual. A evidência física não pode estar errada, não pode cometer perjúrio por si própria, não se pode tornar ausente. Cabe aos humanos, procurá-la, estudá-la e compreendê-la, apenas os humanos podem diminuir o seu valor.”

Forense Contemporânea

Em 1932, o FBI criou seu primeiro laboratório de serviços forenses, e em 1934, Paul Leland Kirk, um dos cientistas responsáveis pela pesquisa de plutônio do Projeto Manhattan (que levou ao desenvolvimento da bomba atômica) inicia a utilização de bioquímica na área forense. Seu livro “Physical evidence and the police laboratory” apresentava as técnicas essenciais para análise de evidências físicas na cena do crime, incluindo impressões digitais, fibras, cabelos, sangue, armas de fogo e acidentes com veículos. Este livro é até hoje uma referência na área

Em 1970, Roland Menzel utiliza pela primeira vez lasers para identificar impressões digitais. Curiosamente, Roland formou-se na Poli-USP no final dos anos 60, e foi o autor do livro Fingerprint Detection With Laser.

Em 1985,  Alec Jeffreys desenvolve o primeiro teste de DNA, e publica suas descobertas na revista “Nature”, comprovando a unicidade das sequencias de DNA, o que revoluciona a medicina forense

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