Skip to content

As questões realmente relevantes no caso Carolina Dieckmann

17 de maio de 2012

O que não é relevante: as fotos em si! Depois que as fotos da Scarlett Johansson foram publicadas em setembro de 2011 nada melhor pode vir. Não estou menosprezando a beleza da atriz nacional, cujas fotos tiveram 8 milhões de acessos em 5 dias e acabaram virando homepage da CETESB por alguns minutos, mas as fotos da Scarlett foram quase artísticas, e renderam até algumas paródias no site tumblr, registradas abaixo:

Este slideshow necessita de JavaScript.

O Que é relevante: como a atriz se sentiu.

Eu assisti uma entrevista da atriz dada à repórter Patrícia Poeta, e percebi que sem querer ela demonstrou para todos os espectadores porque os crimes digitas são relevantes, e por precisarem ser combatidos, merecem uma lei específica. Não me refiro a uma lei feita às pressas em um ano eleitoral, mas uma lei que auxilie a polícia nas investigações, e dê subsídios para a prisão e condenação correta dos acusados.

Ao contrário da atriz norte americana de 27 anos, que pouco se importou com a publicação das fotos, Carolina Dieckmann é mãe de um adolescente de 13 anos que ela não gostaria de ver envolvido nessa história. Essa “vulnerabilidade” lhe rendeu uma tentativa de extorsão de R$ 10.000,00.

Para quem não assistiu o vídeo, vale a pena tirar alguns minutos e ver que ela coloca muito claramente a situação: “O Pior para mim foi ter sido roubada desse jeito. A pessoa ter tentado tirar dinheiro de mim com uma informação sobre a qual ela não tem direito. Não é dele, é minha!”

Essa frase me lembrou as discussões que tive enquanto diretor da ISSA (Information Systems Security Association), sobre o PLS 76, do Eduardo Azeredo. Um  dos problemas relevantes na ocasião era tipificar a coisa jurídica, ou seja, tornar a informação algo tangível para os magistrados, visando a aplicação das leis por analogia. Na época, era complicado para os juízes entender como uma pessoa roubava algo e ela ainda continuava lá, como no caso da Carolina Dieckmann. Outra questão seria como mensurar o valor de algo que se multiplica praticamente sem custo.

O que deve ser lembrado: já houvi de algumas pessoas que os rapazes só foram presos, e que o Google só tomou uma atitude, porque se tratava de uma atriz famosa. Casos como esse acontecem todos os dias e as empresas ou a polícia não agem de forma sequer semelhante à qual agiram nesse caso. Se você se indignou ao ver uma celebridade receber um tratamento não discrepante, deve lembrar-se que igualar por baixo não resolve o problema, deixar todo mundo sem atendimento não desfaz a situação. Reclamar do tratamento recebido pela atriz é errado, o certo é exigir um tratamento igualmente digno a todos.

Conclusões: eu já acompanhei episódios de muito sofrimento devido a roubo de dados e apropriação de perfis, por isso sempre advoguei a favor de um tratamento mais sério e uma legislação mais adequada para tratar crimes por computador. O que vi  acontecer no entanto foi um congresso se agitando de forma oportunista para votar às pressas algo que estão “chocando”  há quase 20 anos, e aprovarem uma lei “nas coxas”, que acabou sendo apelidada de lei “Dieckmann”. Acho que a atriz Carolina Dieckmann recebeu um tratamento justo das autoridades, e que vários setores foram oportunistas nessa situação. Mas a pergunta que não que calar é: Como nós, simples mortais, seremos tratados se precisarmos da mesma atenção um dia?

From → Infosec

4 Comentários
  1. Excelente ponto de vista.

  2. Rosalino permalink

    Caro Fernando
    Muito centrado seu texto. acrescentaria apenas que o “tipificar” o crime. e o grande problema ao legislativo. politicos que na sua maioria, estão mais preocupados com seu próprio. enriquecimento e vantagens, e não. possuem mínimo. preparo para entender o q são crimes ciberneticos. Parabens

  3. Vitor Protasio permalink

    Caros Amigos, bom dia.

    O que aconteceu com a Carolina Dieckmann aconteceu comigo. Todas as minhas contas de email foram roubadas tanto como perfil do facebook e o falecido orkut. A dificuldade para fazer o boletim de ocorrência foi tremenda, pois não havia “motivos” para aquele ato ser classificado como crime me informou uma “autoridade”. Até hoje sou prejudicado devido a esse fato, pois meus emails continham muitas informações pessoais. Agora peço-lhes uma ajuda, o que fazer para que os polícias me deem a atenção que foi dada no caso da Dieckmann ? Fazer um vídeo no youtube e publica-lo seria uma saída?

    Abraços,

  4. matheus reis permalink

    Penso que o caso Dieckmann é atual e necessita de atençao dos juristas brasileiros, tendo em vista que o uso da internet é uma realidade e que, atualmente, nada se faz se a utilização da rede mundial de computadores. Por isso, acho justo e plausível que a sociedade se atualize e que tipifique as diversas modalidades de crimes “na internet”, pois precisamos englobar no mínimo ético essas condutas moralmente inaceitáveis.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: