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Engenharia social e Suicídio, riscos não avaliados

10 de dezembro de 2012

O Dano irreparável

A enfermeira do hospital em que Kate Middleton estava internada e que caiu em uma “pegadinha” de uma rádio australiana foi encontrada morta nesta sexta-feira, 7 de dezembro. Ela se suicidou, segundo a rede CNN, que cita uma fonte do hospital King Edward VII.

Jacintha Saldanha foi recentemente vítima de um trote no hospital, ela trabalhava há mais 4 anos no hospital, tinha 46 anos, era casada e tinha dois filhos.

O Golpe

Dois dias antes, Jacintha havia caído em uma “pegadinha” telefônica, em que dois radialistas australianos ligaram para o hospital fingindo ser a Rainha Elizabeth II e o Príncipe Charles, Jacintha acabou acreditando neles e divulgando informações sobre o estado de saúde de Kate, cuja gravidez havia sido anunciada na segunda.

De acordo com a gravação da conversa, que foi ao ar no “News.com.au” e reproduzida por vários meios de comunicação britânicos, a locutora Mel Greig, pediu, envelhecendo o seu timbre de voz: “Eu poderia, por favor, falar com Kate, minha netinha?”

“Sim, claro, não desligue, Madame”, respondeu a enfermeira.

A ligação foi colocada em espera, enquanto que Michael Christian, o outro apresentador, comentava com surpresa: “Eles estão nos transferindo? Se funcionar será o trote mais fácil que eu já passei!”

Uma segunda enfermeira atendeu e respondeu que Kate “dormia e que havia passado uma noite tranquila”. “Nós a reidratamos, porque ela estava desidratada quando chegou, mas agora ela está estável”, chegou a acrescentar.

O hospital admitiu, no mesmo dia, que havia caído no trote, e os próprios radialistas não acreditaram quando a enfermeira caiu na pegadinha, uma vez que eles classificaram suas imitações de sotaques britânicos como “terríveis”.

O presidente do centro médico, Lord Glenarthur, lamentou o ocorrido e disse que “as consequências imediatas dessas ações malvadas e premeditadas resultaram na humilhação de duas enfermeiras dedicadas, as quais simplesmente faziam seu trabalho cuidando doentes”.

A Falha de segurança:

A direção da instituição disse que “lamentava profundamente” o incidente, observando que o hospital “tem o maior respeito à confidencialidade” de seus pacientes, e que agora “iria rever seus procedimentos para chamadas telefônicas”.

Danos secundários:

A rádio anunciou que a dupla estava afastada de suas atividades até segunda ordem, em sinal de respeito após a tragédia. Segundo comunicado divulgado no Facebook, os dois “ficaram chocados” com a notícia.

O “Daily Mail” relatou que os radialistas chegaram a receber ameaças pelas redes sociais após a morte de Jacintha, e muitos internautas pedem que eles sejam demitidos.

Na carta dirigida à emissora australiana, Lord Glenarthur indicou que “o hospital King Edward VII se encarrega de atender doentes, enquanto foi extremamente estúpido por parte dos apresentadores ter planejado essa mentira para ter acesso a um de seus pacientes e, muito mais, por ter realizado a chamada”.

“Descobrir depois não só que isto tinha ocorrido, mas que a chamada tinha sido gravada previamente e que a decisão de emiti-la tinha sido aprovada pela própria direção da emissora. Foi uma ação verdadeiramente atroz”, declarou o presidente do centro hospitalar.

De quem é a culpa?

Acho óbvio que a dupla de jornalistas não avaliou os riscos de que a vergonha ou culpa fosse consumir a enfermeira de tal forma que ela chegasse a esse extremo, da mesma forma que os paparazzi não pensaram que matariam a avó do futuro herdeiro do trono em 1997. Mas isso os exime da culpa? Mesmo que a atitude da enfermeira não fosse tão extremada, será que a “piadinha” valeria o emprego de uma mãe de família, por exemplo.

Seria o hospital culpado por não preparar seus funcionários? O hospital relatou que a estava apoiando depois do trote, mas mesmo que isso seja verdade, será que todas as instituições serão tão condescendentes com os erros de seus colaboradores?

O que deu errado?

Medo ou vontade de ajudar? Não importa o que essas enfermeiras sentiram, o fato é que a realeza se impõe em um patamar tão alto, que um simples questionamento sobre a identidade dos mesmos poderia ser encarado como uma ofensa. Da mesma forma, alguns executivos e autoridades colocam-se de forma irracional acima dos controles, sem perceber que trazem os riscos para si mesmos, pois poderão ter sua identidade roubada mais facilmente.

Por outro lado, as evidências os levam a acreditar que o Hospital não preparou seus funcionários para situações como essa, um trote como este é um teste que qualquer auditor de segurança da informação poderia fazer para verificar a conscientização dos funcionários quanto à importância da privacidade dos dados dos pacientes.

Por último, não sabemos ao certo os danos para os apresentadores. Sabemos que eles já começaram a ser punidos, mas como isso afetará a reputação da rádio?

Perde-Perde

Em minha opinião esse foi um jogo de perde-perde, desencadeado pela péssima análise de riscos da rádio. Perdeu o Hospital por não se proteger melhor, perdeu a rádio por sua atitude, perderam os locutores pela falta de respeito, perderam o casal real por ter o nascimento do filho associado a uma tragédia, e principalmente, perdeu a vida Jacintha, por ser tão ingênua.

Fontes:

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/lifestyle/2012/12/08/314978-enfermeira-que-atendeu-kate-comete-suicidio-apos-receber-trote-de-canal-de-tv

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/12/morre-recepcionista-que-caiu-em-pegadinha-sobre-kate-diz-imprensa.html

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